Acompanhe um linchamento, a primeira praga atingindo a cidade, todo o caos existente em meio a pessoas loucas se espremendo nas ruas devido às construções metálicas, e o pior, o início do ritual que promete enterrar a cidade.
Um prólogo, um capítulo revelando a primeira praga e um segundo mostrando que existe uma conspiração por debaixo das ruas. Veja agora o início do livro de terror que faz parte de uma saga PATROCINADA PELO SITE. Enquanto lê, quem sabe você não consegue perceber os simbolismos e mensagens subliminares existentes nesse livro completamente ocultista.
Prólogo
Anima, ano 12
Tochas foram acesas. A população marcha com dentes serrados e urros guturais, caminhando para o local com um ar feroz nas expressões, tornando-se animalesca. A única iluminação presente na cidade é a luz do luar, contrastando com as trevas que habitam no coração de cada cidadão que grita diante do templo.
Pás, pedaços de madeira e pedras gigantescas são carregados em nome do vandalismo e da violência.
O povo cerca a construção, convocando o nome da vítima, clamando por aquela que querem machucar, cortar, romper e dilacerar músculos e ossos, tal como lobos famintos rasgando sua presa.
Eles intimam o nome de Alektra.
É dentro do templo onde a garota está, correndo freneticamente enquanto as lágrimas dançam por suas bochechas. Pancadas incessantes são dadas em seu peito, devido ao coração bater tão rápido e forte, que beira os limites humanos. O gélido ar que invade os pulmões da sacerdotisa nada tem relação com o clima, mas sim com o estado de uma presa ao encarar, diante de si, os olhos de seu predador.
Todos os funcionários do local carregam móveis e utensílios para colocarem diante da porta, que sofre com as pancadas do povo irado. Janelas são atingidas com pedras. Se não fossem as prateleiras empilhadas, o povo já teria invadido assim que os vidros estilhaçados atingissem o solo.
Alektra corre para o pátio principal, onde ali, duas crianças seguram sacos com livros e mantimentos, as mãos e os braços frenéticos, enquanto os dentes se chocam devido ao maxilar trêmulo. Eram seus filhos adotivos, antigos órfãos que Alektra amou no segundo em que ela os viu.
Ajoelhando-se perante os meninos, os abraça, chorando copiosamente. Naquele momento o peito dói como se fosse rasgado, a sensação de unhas pontudas perfurando o órgão de dentro para fora, um monstro saindo e dilacerando seus músculos. Ainda assim, a mulher consegue raciocinar para dar ordens, como uma líder.
— Vocês precisam ir, meninos, a tia Jane vai cuidar de vocês, tá?
— Mãe, por favor, vem com a gente. Não vai… – A fala se mistura a choro e desespero.
A matriarca apertou ainda mais os seus filhos no abraço, querendo aproveitar cada centímetro do corpo das pessoas que ela mais ama no mundo, viver cada segundo final.
— A mamãe sempre vai amar vocês, ouviram? Eu nunca vou deixar de amar vocês – A voz embarga no final… nem todo mundo é forte o tempo todo.
Empurrando os meninos para a senhora de idade que iria acompanhá-los, Alektra os vê pegando tochas e pedras, tirando quaisquer resquícios de roupas que os sacerdotes usam, trajando as vestes dos futuros assassinos de sua mãe.
Uma camuflagem traumática que deixará marcas tão profundas em suas mentes, que nunca serão resolvidas.
Alektra de Traumátos, líder dos sacerdotes, caminha até o meio do pátio de entrada, se posicionando logo adiante da porta. Funcionários e amigos encaram sua líder, olhos inchados e cabisbaixos demonstram a desistência.
Para que os meninos e a senhora consigam sair com vida, irão se oferecer ao abate, atraindo todos para seus corpos, que sofrerão um castigo devastador.
O sacrifício final!
Funcionários saem da porta e ouvem as pancadas ficando mais fortes. O povo se motiva ao perceber que não há mais uma força contrária, então leva somente alguns segundos para a entrada ser arrombada. O templo, conhecido pelo seu silêncio e calmaria, é preenchido com urros e barulhos de pancadas.
Alektra viu cada um de seus parceiros, sacerdotes que ela passou a vida junto, formou laços, amizade e os fez sua família, todos sendo perfurados e pisoteados.
Corpos se tornam chafarizes de sangue, com veias sendo perfuradas e jatos vermelhos saindo em meio a urros de agonia e dor. Cabeças são esmagadas a ponto de os glóbulos oculares saltarem para fora e gritos macabros são ouvidos devido a pele ser tomada pelo fogo, junto das pilastras e do templo que foi a casa da jovem.
Como se quisessem ter forças, todos encaram Alektra, que viu a vida de cada um se esvaindo em sua frente, tudo isso enquanto chora como uma criança pequena que se perdeu dos pais, o mundo inteiro desabando em sua frente.
Isso fez a mente da sacerdotisa se entregar, rompendo o limite da sanidade. O gélido de seu corpo começa a ferver, o sangue correndo por suas veias age como se entrando em ebulição. Sua respiração se intensifica junto aos dentes cerrados e seu olhar que nem parece mais humano.
Ela tentou, persistiu, lutou por cada um deles, mas agora, tudo o que seu coração sente, é o profundo brilhar de um monstro escapando da jaula.
— Permita sentir, deixe a fúria te tomar. Vai
Alektra, tomada pelo sentimento, sequer questiona que voz era essa, apenas obedeceu.
— Malditos sejam, vermes alienados. Vocês pagarão caro por isso, essa maldita cidade pagará caro por isso. Escutem bem – seu grito é como trovões castigando árvores em campo aberto, fazendo todos congelarem – Assim como um tubarão engolindo cardumes de peixe, eu voltarei, e vou enterrar toda essa cidade e suas lembranças pelo resto da vida. Filhos e netos serão vítimas da minha ira!
Isso fez com que todos ficassem ainda mais raivosos, indo para cima de Alektra. A garota sente as pedras atingindo seu rosto, abrindo rasgos pelo supercílio, testa, bochechas e nariz, banhada em sangue.
Depois, ouviu os estalos de ossos e músculos se partindo sob uma chuva de chutes, socos e cotoveladas, atingindo todo o seu corpo de uma vez.
Olhos incham a ponto de lhe tirar a visão, o corpo forma inúmeras bolhas e inchaços, de sua pele tomada por feridas, rasgos e roxos. Caída no chão, o nariz quebrado sente o cheiro do fogo se alastrando pelo seu amado templo.
As fraturas expostas no corpo pioram o queimar dos músculos, quando litros de álcool são lançados a garota, sendo banhada da cabeça aos pés. O arder é tão intenso, que se sente lançada em lava profunda, derretendo aos poucos.
O povo comemora, agora fora do templo, quando as chamas do edifício finalmente tocam no álcool e levam todo o inferno para Alektra, que grita a ponto de rasgar sua garganta com cada um de seus órgãos fritando, derretendo em brasas. Toda molécula devastada pelo fogo faz com que Alektra obtenha uma dor igual a de centenas de chicotes sendo estralados em suas costas.
— Morra, vagabunda! – Disse um dos homens, gargalhando.
— Queime no inferno, assassina! – Urrou outra mulher, aos prantos.
— Meu filho está vingado, desgraçada – Esse também chora, sentindo a dor que nenhum pai deveria sentir.
Mas então aquilo acontece!
Todos os gritos de comemoração se calam, alegria e comoção se moldam em medo e pavor, quando os gritos da vítima se transformam em gargalhadas.
Alektra se levanta e caminha até a entrada, diante de todos, pegando fogo. Ela urra, fazendo o fogo e todo o templo virem até si, se movendo em redemoinho, um pequeno tornado de fogo, que faz todos saírem correndo e a cidade ser tomada por gritos de desespero.
— Permita que eu lhe dê o poder, Alektra, juntos, vamos destruir toda essa cidade. Entregue seu coração a mim e eu lhe darei o poder
— Sim, eu aceito, eu aceito – Gritava Alektra, para alguém que só ela vê!
O fogo se converte em uma coloração avermelhada, um rubro tão poderoso que aflige a visão. Raízes e galhos da mesma cor são forjados, enquanto pedaços de mármore se ajustam ao corpo de Alektra, a cobrindo, condensando-a, trazendo forma a nova construção, virando uma maravilha a céu aberto.
Ao terminar as risadas e o fogo se esvair, a população se acalma, contemplando a mais bela pilastra de mármore, envolto em galhos e plantas avermelhadas, algo tão lindo que encanta qualquer um que vê. Quando a multidão se aproxima, uma aura pulsante os atinge, algo tão magnético que querem ficar ali para sempre, mergulhar na pilastra, senti-la, mesmo que machuque.
Uma senhora lembrou de seu marido chegando em casa embriagado, descontando as frustrações com tapas e socos na gentil esposa, machucando corpo e ferindo a alma, devido ao agressor ser alguém que jurou amá-la e respeitá-la.
Outro se lembra da constante violência sofrida no ambiente escolar. A sensação de impotência ao apanhar constantemente de colegas que o perseguem. O sentimento de ser o culpado, talvez possuir algum mal em si que o faz ser digno de punição.
Além de outros membros com perturbações, dores, medos e tragédias, remoídas em seus corações. No fim, cada um deles colocou a mão na pilastra, que sugou tudo para si, enterrando os sentimentos, encarcerando os males. A sensação dessas pessoas é de que tiraram roupas pesadas. Agora a gravidade se torna menos rigorosa, tal como emergir de um oceano profundo.
O vermelho das plantas começa a pulsar, energizando em meio ao banquete de emoções presas, se alimentando da fuga, banhando seu corpo com o perfume da cegueira, trajando as vestes daquilo que eles ignoram, recolhendo para si o poder do macabro.
Poder esse que começa a se acumular.
Ali, naquele dia, nasceu a pilastra dos segredos.
Capítulo 1: A primeira praga
Anima, ano 74
Corpos tremem violentamente em seus caixões.
O cemitério de Anima não possui qualquer iluminação além das pequenas tochas que os próprios familiares deixam nos túmulos. Trilhas repletas de barro e lodo enquanto o cheiro de grama cortada por máquinas preenche o ambiente junto das densas neblinas.
Debaixo da terra é possível ouvir os grilhões se mexendo sem parar, além do barulho da madeira sendo atingida em sequência rápida. Todos ali estão gélidos e inquietos devido ao fato de que isso ocorre na maioria dos túmulos. Em teoria, todos deviam estar mortos.
A carruagem real para na entrada do cemitério. O cocheiro, vestido de forma requintada, abre a porta para que o príncipe e sua assistente desçam.
Adam, da casa Anthropos, desce do confortável assento e presencia essa cena macabra. O garoto de 25 anos caminha entre os túmulos até chegar no coveiro, parado diante de um caixão aberto, de costas para o casal.
— Olha só quem está aqui! – A voz do coveiro é baixa e profundamente sombria – O príncipe Adam finalmente tendo uma atitude responsável, saindo dos confortáveis berços de lã ortopédica.
— Como ousa falar assim com o príncipe, coveiro, quer ser enviado para o distrito inaceitável? – A assistente tenta defender o seu chefe, mesmo que a atitude seja imprudente.
Mas tal coragem é sugada quando o coveiro se vira com tudo, revelando os olhos vermelhos e o rosto em cadaverização, somente com pequenos pedaços de pele ainda resistentes. A arcada dentária exposta o faz parecer sorridente o tempo inteiro.
Engolindo em seco, a pobre mulher segura o choro subindo pela garganta.
— Não podemos expulsá-los daqui meu amor – explicou o príncipe. — Morfeu é imbatível e só podemos agradecer pelos seus serviços… O senhor cumpriu o decreto do rei de enterrá-los a treze palmos ao invés de sete?
A criatura encara o príncipe, que tenta ao máximo não demonstrar medo. Morfeu leva os dedos ao próprio chapéu e cumprimenta o rapaz, um sinal de que está de bom humor.
— Sim, príncipe, e tal ideia do rei acéfalo não deu certo, surpreendendo apenas os tolos. É óbvio que não devem ser usadas leis materiais para essa crise, afinal, mesmo enterrado há 7 palmos no chão, até mesmo um vivo gritando por misericórdia não seria ouvido. Isso é obra de forças além do véu do palpável.
— Você sabe que forças são essas?
Um silêncio constrangedor, que pareceu uma eternidade, tomou conta naquele momento. O coveiro encara os dois e parece que iria atacar a qualquer segundo, o que fez os corações de ambos os jovens quase parar.
— Se sei ou não, talvez nunca saberá. Apenas me divirto vendo seu rei submisso enterrá-los mais baixo e os familiares envolvê-los com correntes. Alegro-me ao ver tudo dando errado.
— Isso não vai ocorrer por muito tempo, eu e o delegado da cidade vamos conseguir resolver essa situação. Vim aqui pedir sua permissão para que minha assistente, Roberta, possa fazer alguns exames no corpo de algum dos mortos que não dormem.
— Rebeca – Corrigiu a menina, com um leve tom de raiva na voz.
— Sim…. Rebeca – Sorriu o príncipe.
O coveiro assentiu e pediu para que seus ajudantes começassem o processo de levar o caixão para o necrotério, que fica nas dependências do cemitério. Todos se afastam.
Príncipe e assistente ficam sozinhos no local.
— Roberta? – O questionamento veio com um sorriso em tons de brincadeira, mas com um leve toque de nervosismo real.
— Peço desculpas, minha linda, ultimamente o rei tem me enchido de coisas. Essa crise tem estressado todo mundo. Você sabe que não foi de propósito.
— Acalme-se, chefe, conheço você e sei como age. Nunca morremos de amor um pelo outro, mas tente acertar meu nome da próxima vez.
Adam balança a cabeça e os dois sorriem um para o outro. Apenas um sorriso social e falso.
—Aliás, você vai mesmo me deixar com um morto que nunca dorme, sozinha, enquanto vai se divertir no baile real?
— Ah acredite, eu preferiria estar em um caixão amarrado por correntes do que ir para essa festa, mas você conhece a política. Apenas faça medições sobre a tremedeira, se aumenta ou diminui em algum momento, veja temperatura do corpo e tente achar alguma anomalia.
Adam então se aproxima dela, fazendo aquela expressão maliciosa e com a voz mais baixa e levemente mais grave.
— Prometo que vou recompensar você depois. Do jeitinho que você gosta.
Os dois sorriem e se beijam, não se importando com o cocheiro, que próximo dos dois, finge não ver nada. Após as mãos bobas e despedidas, Adam se dirige até a carruagem, visualizando sua assistente desaparecer em meio ao breu do cemitério, rumo ao necrotério.
O príncipe se senta no confortável banco de couro, aliviado por se livrar daquele tenebroso local.
Quando de repente, os olhos vermelhos de Morfeu aparecem na janela, fazendo o príncipe dar um pequeno grito. O rapaz encara a frente, respirando fundo enquanto o coração quase saiu correndo do corpo.
— Escute, príncipe de Anima, para seu bem, espero que resolva esse caso, ou a cidade inteira irá ser enterrada. Não falo isso de maneira poética, metafórica ou com qualquer força de expressão… literalmente, ser enterrada.
Sua voz é rouca, porém grave, a maneira com que seus olhos encaram o príncipe sem piscar, provoca um gelo na espinha do rapaz. Morfeus tem uma postura intimidadora, que se eleva em meio às vestes de sobretudo, calças e botas pretas.
— E… você… tem algum conselho, Morfeu? – Adam até que é bom em fingir não estar tão tenso quanto uma corda esticada ao limite.
— Estará entre centenas de inimigos e uma dezena de aliados, príncipe. Diferencie-os rápido, ou eu irei pessoalmente analisar seu corpo no necrotério antes que imagine.
Dito isso, Morfeu passa a língua parcialmente devorada pelos seus dentes e no mesmo instante desaparece, tal como apareceu. Adam apenas consegue fazer sinal para que Jimmy, o cocheiro, inicie o retorno.
Ambos saem do subdistrito, onde se localiza o cemitério e chegam ao centro urbano da famosa cidade estado de Anima.
Pela janela, o príncipe consegue ver tudo.
Anima fica macabro no cair da noite, pois sua iluminação baixa deixa uma atmosfera densa, criando a sensação constante de perigo e que olhos famintos o observam. Ruas estão tomadas por carruagens e cavaleiros que gritam uns com os outros, enraivecidos pelo trânsito rotineiro que só é possível graças a eles, os usuários.
A cidade densa parece engolir cada alma viva ali presente, com prédios imensos tapando a visão dos céus e diminuindo o brilho das estrelas. Calçadas e praças são tomadas por pessoas que ficam ali, paradas sem piscar, observando e gargalhando sem expressão, apenas os lábios e dentes remexendo enquanto produzem o som estridente.
Todos estão amontoados, encarando a construção cinzenta dos obeliscos de ferro maciço, cuja forma está torcida e retorcida, como pano de chão ao ser molhado. Esses obeliscos de centenas de metros produzem um espelho mágico, que vai mostrando, em velocidade constante, a vida de cada um dos moradores dali. Pelo menos, o que eles desejam mostrar!
Essas são as famosas construções metálicas.
Milhares delas, em cada esquina, praça, calçada ou até em quintais de residências. Os usuários têm olhos vermelhos e irritados devido a quase não piscarem, as pupilas dilatadas, tremendo em meio a tamanha adrenalina e feitiço.
Se os usuários não estão olhando, fazem de tudo para serem assistidos. Adam consegue observar alguns seres esguios, com cabelos e barbas volumosas, tomados pela sujeira de dias seguidos sem banho e higiene.
Atrás de fenos e carros, os braços se agitam por estarem se masturbando. É possível ouvir os gemidos excitados de suas vozes, enquanto assistem pessoas nuas, se exibindo, por livre e espontânea vontade. A maioria mulheres, tendo seus egos e vazios preenchidos enquanto seus corpos se moldam em troféus.
Adam observa aquilo com certo nojo, encarando a sua volta enquanto acompanha os cavaleiros e as carruagens andando tranquilamente, como se vendo coisas comuns do dia a dia. O príncipe nunca conseguiu normalizar nada daquilo em seu coração, mesmo que seja o culpado por toda essa balburdia.
— Chegamos, senhor.
Adam respirou fundo quando ouviu os gritos de inúmeras pessoas no lado de fora do Palácio de Pulsar, o distrito mais rico e importante de Anima. O local é repleto das tropas indulgentes, o exército do rei. A iluminação presente é bem maior, tornando o ambiente colorido como uma grande festa de gala.
Após se concentrar, o príncipe olha para frente, abrindo um imenso sorriso falso. Seus olhos se abrem e ele sai da carruagem, gargalhando quando é ovacionado.
— Boa noite, povo de Anima, como vocês estão? – As mãos cumprimentam o povo com um tchauzinho estilo político.
E todos vão a loucura, gritando como se fossem ter um parto. É possível ver algumas pessoas encharcadas de suor e cheirando a fezes, devido a permanência naquele lugar há dias. Vários pés estão sangrando e desmaios já ocorreram.
Mas tudo é esquecido quando o príncipe começa a subir as escadas, dançando enquanto o faz. Adam balança os braços e faz coreografias típicas que os mais famosos das construções metálicas reproduzem.
As mesmas fãs que enlouquecem com o príncipe, quase surtam, quando, saindo do palácio, a princesa finalmente mostra suas caras.
Seu cabelo é como o de Adam, castanho escurecido, mas enquanto do seu noivo é curto e cacheado, o dela é longo até a cintura e liso. Seu corpo é diferente de todas as outras, pois sua raça tem uma peculiaridade que nenhum humano tem.
As curvas são impecáveis, o corpo não tem nenhum traço fora da perfeição, pois todas as filhas de Cythera possuem um corpo, literalmente, feito de vidro.
Todos reverenciam a princesa de Anima Cythera VI, noiva de Adam.
O casal se encontra com um lindo selinho e um abraço, então começam a cumprimentar o público. Vários outros nobres aparecem, com roupas feitas de papelão, arroz e várias outras coisas sem sentido. Um dos nobres se sobressaiu ao chegar apenas de cueca, exibindo em suas costas uma tatuagem escrita “Durmam, mortos que nunca dormem, apenas durmam”, o que arrancou vários aplausos das pessoas pelo seu consciente e “maravilhoso” ato social.
Nobres se abraçaram, rindo, radiantes, amizade plena, até que entraram no palácio, onde a magia das construções metálicas não chega e ninguém pode vê-los.
Então as máscaras caem!
Cada um vai para o seu canto, sem sequer olhar nas faces uns dos outros. Alguns até mesmo mudam seu andar e seu timbre de voz, pois até nisso fingiam.
— Mas que caralho, Adam, você chegou cedo demais. Era para você ser o último para sermos o fechamento da noite. Você tem merda na cabeça?
— P-perdão, Cythera, eu não sabia que faltava gente para chegar. O cocheiro falou que já havíamos chegado, então eu sai e…
— Então expulse o cocheiro daqui e o mande ao distrito inaceitável!
Os olhos de Adam esbugalharam-se!
— Não! Amor já é o oitavo funcionário nosso que você envia para lá, Jimmy só cometeu um pequeno erro.
Cythera VI, da casa dos Vanitas, se aproximou bem de Adam, aqueles olhos envidraçados e amarelos muito intimidadores, principalmente quando ela fazia aquele olhar esbugalhado e cheio de raiva.
— Isso é uma ordem, noivo – A forma como ela fala a última palavra, vem em tom de ameaça.
Adam adora Jimmy, e uma parte de si grita, arranhando seu íntimo para que desafie a megera de sua noiva, porém, o corpo parece se condensar e parte de sua mente imagina toda a dor de cabeça e suor necessários para um embate como esse.
— Sim, senhora – A voz quase não sai.
A garota sorri satisfeita com a resposta. Ambos caminham para o ponto mais alto do salão de festas, onde o rei e a rainha estão parados e sendo ovacionados. Ao lado dos monarcas, o capitão da guarda, com sua altura imponente e seu corpo avantajado, permanece em sentido e alerta, mas ainda dá tempo de piscar sedutoramente para Cythera VI, que responde com um sorriso malicioso.
É Demétrio, da casa Fidelis, a casa que guarda o palácio e protege os reis. O capitão sorri quando encara a princesa e muda radicalmente ao olhar o príncipe, fazendo até mesmo expressão de nojo.
Adam ignora aquilo, parado, pouco atrás dos reis, como um membro importante da família real.
— Senhores – Começou o rei – é uma honra ter vocês aqui para mais um ano de festividades desse feriado que para mim, é sinônimo de orgulho, alegria e muita tristeza. Hoje, é o dia em que minha amada Cythera, a primeira, nos deixou enquanto dormia, falecendo da mesma forma que nasceu e viveu, de maneira perfeita. Afinal, quem não quer morrer dormindo, não é verdade?
Todos aplaudem, e o quadro gigantesco pendurado atrás dos monarcas se acende, com Cythera em um quadro de pintura em óleo.
— Vamos celebrar esse feriado em nome dela. Podem se esbaldar e viver felizes, como minha amada Cythera, que me deu filhas lindas, que me deram minha neta e esposa, Cythera IV. Que comecem as festividades.
Todos então gritam comemorando, e assim a banda inicia as músicas enquanto bebidas e comidas das mais diversas e abundantes passam de um lado para o outro.
— Bom, divirta-se, e lembre-se do nosso acordo. Use camisinha para não engravidar nenhuma mulher – Cythera VI sorri e caminha até sumir em um corredor.
O mesmo corredor que Demétrio, segundos depois, coincidentemente também foi.
A festa dura a noite toda, e Adam simplesmente mergulha na farra.
Vomitou algumas vezes devido a tanto que comeu, bebeu, tragou e outras coisas mais. Beijou mulheres, homens e até estátuas, foi para cama com alguém que ele não lembra mais quem é, mas usou camisinha, mantendo a promessa com sua falsa noiva, que também fez muita loucura naquele local.
O homem apenas caminha, como um zumbi. As imagens turvas e o desequilíbrio fazem sua rota ser improvisada. Gritos, gemidos, vômitos e gargarejos são ouvidos no ambiente. Adam consegue ver vultos, criaturas malignas gargalhando, até que volta a si.
Tudo o que Adam se lembra, é de que está agora na varanda, o sol começando a sair. A cabeça dói como se martelos estivessem usando seu crânio de prego. Está com uma garrafa na mão, só de cueca, e com uma marca de batom no pescoço.
Naquele momento, O príncipe encara o horizonte, seria lindo poder ver a porra do sol, se não fosse essas malditas construções metálicas que tomam conta de tudo. Adam olha em volta, e então, após passar todos os efeitos de tudo que ele ingeriu, ficou apenas o que possui a muito tempo.
O vazio!
As vozes retornam, todos os remorsos e xingamentos que sua consciência faz a si mesmo. O que ele se tornou? O homem que Adam se orgulhava de ser parece ter sido morto e enterrado.
Mas assim como os mortos de Anima, não consegue descansar.
E tudo por que ele a deixou.
Expulsou-a da cidade.
Como sente saudades daquela mulher. Faria de tudo para voltar para ela.
E no meio dos seus devaneios, um grito é ouvido.
Adam vai até onde o som se originou, e então viu pessoas vomitando, mas não por estarem embriagados, como de costume, e sim porque suas taças e bocas estão com líquidos vermelhos.
Adam encara o chafariz de ouro no meio do salão real, onde as águas cristalinas agora estão vermelhas, o toque suave da água no pequeno lago artificial se transforma numa camada grossa e viscosa.
O príncipe se aproxima e toca no líquido, levando-o até a língua e percebendo o que todos da cidade, ao abrirem suas torneiras, ou ao se depararem com a mesma situação no meio do banho, perceberam.
Toda a água da cidade virou sangue!
***
A praça central de Anima estava a mesma coisa de sempre, cercado pelas construções metálicas, onde somente a pilastra dos desejos permanecia intacta. Algumas pessoas dançam em frente à pilastra, a usando para que mais pessoas as vejam na magia das construções.
Até que todas são obrigadas a parar.
As plantas avermelhadas da pilastra começam a se mexer, esticando, expandindo seu território. Alguns gritam, correndo quando a pilastra começa a inchar, o mármore se dilatando. Um pequeno terremoto sacode o chão, espalhando poeira do mármore, que racha em uma parte, revelando algo que atiçou a curiosidade de todos.
O terremoto parou, as plantas voltaram a ficar intactas, mas toda a cidade fita a pilastra para ver o que saiu de lá de dentro.
Os dedos de uma mulher!
Capítulo 2: A missão essencial
O local é uma cripta escura, iluminada apenas pelas chamas de um suporte de tochas no centro do ambiente oval.
Figuras vestindo um manto vermelho que cobre todo o corpo estão ajoelhadas, entoando cânticos desconhecidos da língua natural da cidade. Crânios adornam os contornos da cripta, repousando no solo com velas grossas apagadas ao lado. São os inimigos que a ordem mandou assassinar, massacrar ou destruir, contabilizando 137.
Todos se agacham, colocando a testa no chão e esticando os braços à frente, enquanto a líder se aproxima, se destacando dos outros pelo seu manto dourado e máscara coberta de ouro.
— Meus súditos, ouçam-me com atenção – Sua voz ecoa pelo ambiente como tambores de guerra – O dia de que suspeitamos chegou. O ritual se inicia e a água está corrompida com sangue! Devemos ser fortes e continuar com nosso propósito. Temos bebida e mantimentos em abundância para nos abastecer por anos. Deixemos que Anima sofra e a população conheça o seu fim enquanto padece em sede.
Todos observam a mulher tirar do manto uma pílula negra, levantando ao alto.
— Quando os anos se passarem e nossos mantimentos ruírem, tomaremos a pílula do descanso eterno e assim terminaremos nossos dias na cidade. Esse destino, que eu escolhi para todos, é muito melhor do que o retorno da mulher maldita.
— Minha senhora – interrompeu um dos discípulos – E quanto a todos que ousarem tentar acordar Alektra? Chegará a hora em que o campeão será escolhido, e este, com certeza, tentará acordá-la.
— Sem dúvidas, meu servo, e a resposta é simples, basta olhar para todos os crânios que estão nesse ambiente, como um lembrete do que ocorre quando ficam em nosso caminho: Vamos matar o campeão, todos que estiverem ao lado do campeão, seus familiares e amigos. Fui clara?
Todos a reverenciam.
— Minha senhora, e quanto à Milady menor, não acha que está na hora de convidá-la a juntar-se a nós? -A voz que pergunta é fina, jovem, e vem da mais próxima da líder da seita.
— Infelizmente Milady menor ainda se mostra rebelde, talvez criamos ela errado! Se a menina não seguir firme, será doloroso para mim, mas seu corpo também será pisoteado por nós, e seu rosto exposto como troféu em minha cama.
A pessoa que a questiona abaixa a cabeça.
É quando a líder pega um punhal, que todos se levantam e fazem o mesmo, retirando um objeto idêntico preso à cintura.
— Lembrem-se, todos, Alektra é pior do que a morte. O que fazemos ao povo de Anima é misericórdia. Essa é nossa missão essencial. Viva a sociedade Mania.
— Viva a sociedade Mania – Todos gritam em uníssono.
Cortes de sangue são feitos no antebraço, o mesmo sangue é saboreado quando todos levam à boca. Não é possível observar, mas seus olhos dilatados revelam seu fascínio pela causa, o coração saltitante mostra a empolgação de todos enquanto as ereções e umidade em suas partes íntimas demonstram o prazer visceral em cumprir o seu propósito com morte.
Morte ao campeão e seus aliados!
E aí, gostou? Está mais do que na hora de você mergulhar nessa história e ser um dos prestigiados a ler o livro, cujo autor promete trazer uma antiga sociedade secreta de volta a vida.
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E não se arrependa.
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